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Estratégias para melhorar a nutrição para idosos

Publicado originalmente em 2011 no Best Practice Journal da ONG BPAC, Nova Zelândia.


A incidência e o impacto da desnutrição em idosos são subestimados. A melhor opção para tratar a desnutrição é melhorar a alimentação e o consumo normais, incentivando a comer refeições e lanches frequentes, pequenos, calóricos e proteicos. Os suplementos nutricionais para o aumento de peso geralmente não são necessários, a menos que o peso corporal não consiga ser mantido com uma dieta equilibrada normal, ou se o alimento não puder ser ingerido com segurança.


DEFINIÇÃO DE DESNUTRIÇÃO

A desnutrição é tanto causa como consequência da saúde. O termo desnutrição pode aplicar-se a vários estados – subnutrição, sobrenutrição ou deficiências de nutrientes específicos. Este artigo se concentrará na subnutrição e o termo desnutrição, quando usado, irá se referir a este estado. Mais especificamente, a desnutrição neste contexto refere-se a uma deficiência de proteínas e energia, com ou sem deficiências de micronutrientes. Tais deficiências estão associadas a um declínio no funcionamento do corpo e nas consequências clínicas.

As consequências da desnutrição são fisiológicas, bioquímicas e psicológicas. Incluem imunidade reduzida, cicatrização retardada e diminuição da força muscular, que por sua vez tem efeitos prejudiciais na recuperação e na reabilitação. O impacto psicossocial da desnutrição também é significativo com mudanças de humor, nas atitudes, na autoestima e na redução da socialização.


PREVALÊNCIA DA SUBNUTRIÇÃO

Estimativas de prevalência de subnutrição em idosos:

Prevalência                         Tipo de população

Acima de 10%          Idosos não institucionalizados

10 – 50%                    Hospitalizado por doença aguda

10 – 70%                    Unidades de longa duração ou lares de idosos


CAUSAS DA DESNUTRIÇÃO

A “anorexia do envelhecimento”

O apetite e a ingestão de alimentos geralmente diminuem com o envelhecimento. As pessoas mais velhas constantemente tendem a ter menos fome do que as pessoas mais jovens, comendo refeições menores, tendo menos lanches entre as refeições e também comem mais devagar. Entre 20 e 80 anos, há em média uma diminuição de aproximadamente 30% da ingestão de energia necessárias. Quando esse declínio na ingestão de energia é maior do que a diminuição do uso de energia, que também é normal com o envelhecimento, então há perda de peso.

A maioria das pessoas perdem peso à medida que envelhecem, mas a quantidade perdida é variável e aquelas que já são magras, também perdem peso. O problema com essa perda de peso é que não é apenas gordura que se perde, mas a musculatura esquelética magra. A perda de tecido magro está associada a reduções na função muscular, massa óssea e função cognitiva, anemia, disfunção do sistema imunológico, cicatrização lenta da ferida e recuperação de cirurgia e, consequentemente, aumento da morbidade e da mortalidade. Embora a musculatura magra possa ser recuperada em pessoas mais jovens, isso geralmente não é o caso para pessoas idosas. Isso significa que estar abaixo do peso torna-se mais um problema de saúde em idade avançada do que ter excesso de peso.

Com a idade avançando, têm-se vários efeitos sobre a função gastrointestinal. Há uma redução da absorção de vitamina B6, B12, ácido fólico, ferro e cálcio. Outros problemas gastrointestinais, como gastrite e câncer gastrointestinal, podem reduzir o estado nutricional.

Infecções respiratórias ou urinárias agudas, septicemia, cirrose do fígado, hipertireoidismo e estado hiperativo encontrado em algumas pessoas com demência ou doença de Parkinson podem causar um estado hipermetabólico – maior gasto de energia em estado de repouso.  A doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) pode causar anorexia e problemas físicos relacionados à falta de ar.


RAZÕES PARA A DIMINUIÇÃO DA INGESTÃO DE ALIMENTOS

Além da “anorexia do envelhecimento”, existem razões físicas, sociais, culturais, ambientais e financeiras para uma dieta inadequada:

Pouco apetite: doença, dor ou náuseas quando come, depressão ou ansiedade, isolamento social ou viver sozinho, falecimento ou outro evento significativo da vida, aversão alimentar, resistência à mudanças, falta de compreensão ligando dieta e saúde, crenças sobre restrições alimentares, alcoolismo, sensação reduzida de gosto ou cheiro.

Incapacidade de comer: confusão, consciência diminuída, demência, fraqueza ou artrite nos braços ou mãos, dificuldade de engolir, vômito, doença pulmonar obstrutiva crônica, condições bucais dolorosas, má higiene oral ou problemas de dentição, restrições impostas por cirurgia ou exames, falta de ajuda no comer quando hospitalizados ou internados em casas de repouso.

Falta de comida: má condição financeira, dieta de má qualidade (em casa, no hospital ou em casas de repouso), dificuldades em comprar alimentos e em cozinhar, preferências étnicas não atendidas (particularmente em hospitais e casas de repouso).

Medicamentos: os medicamentos podem alterar o estado nutricional de várias formas, por exemplo, anorexia, gosto diminuído ou alterado, boca seca, confusão, distúrbios gastrointestinais, incluindo náuseas, vômitos, diarréia, prisão de ventre, sensação de má digestão. O uso incorreto de medicamentos também pode causar problemas como, por exemplo, o hipertireoidismo.

Diminuição da digestão e/ou absorção: problemas médicos e cirúrgicos que afetam estômago, intestino, pâncreas e fígado, câncer, infecção, alcoolismo.

Condições alteradas: exigências metabólicas aumentadas ou alteradas relacionadas à doença, cirurgia, disfunção orgânica ou tratamento.

Excesso de perda de nutrientes: vômitos, diarréia, fístulas, estomas, perdas na alimentação via tubo nasogástrico e outros tubos e drenos.

Subnutrição relacionada com doenças: Alguns tipos de doença também aumentam o risco de desnutrição. Por exemplo: doenças respiratórias, gastrointestinais, hepáticas e renais crônicas, câncer, HIV, AIDS, acidente vascular cerebral e cirurgia.

Cirurgia: as alterações metabólicas causadas pela cirurgia, o aumento das demandas exigidas para a cicatrização, a septicemia e o estresse do procedimento cirúrgico, aumentam as necessidades energéticas. Para fornecer esta energia, a proteína armazenada como músculo é quebrada e os aminoácidos são liberados. Um estado séptico aumentará ainda mais esta destruição muscular. Os requisitos nutricionais devem atender a essas maiores necessidades. Além disso, os pacientes já podem estar desnutridos devido à doença que os levou à sua cirurgia.

Uma vez ocorrida a descarga energética muscular, haverá necessidades nutricionais mais elevadas durante a fase de recuperação, embora os músculos perdidos nunca possam ser recuperados. Os suplementos nutricionais orais podem ser úteis durante o período de recuperação, particularmente se houver modificações na ingestão dietética como consequência da cirurgia, por exemplo: modificação de textura, dieta com baixo teor de resíduo.

Câncer: pessoas com câncer são muitas vezes desnutridas. Mudanças físicas e metabólicas podem ser agravadas por problemas sociais e psicológicos. Os efeitos adversos ao tratamento, tais como mudanças no sabor, dificuldades de náuseas ou de deglutição, também resultam em uma ingestão reduzida de alimentos e nutrientes. O câncer pode resultar em síndrome de anorexia-caquexia, que é um estado de alterações metabólicas complexas associadas à anorexia, perda progressiva de peso e depleção de reservas de tecido adiposo e músculo esquelético. A perda de peso afeta negativamente a tolerância ao tratamento e os resultados de sobrevivência.

As dietas nutricionais personalizadas devem ser administradas numa fase inicial para ajudar a prevenir deficiências nutricionais. Perda de apetite, dor, náuseas e vômitos contribuem para uma ingestão oral fraca. O médico poderá receitar a prednisona para estimular o apetite, mas seu efeito tende a ser de curta duração.

Os suplementos nutricionais orais podem ser benéficos quando uma dieta equilibrada normal não pode ser tolerada. Esses suplementos ajudam a prevenir a desnutrição, mas, eventualmente, não podem interromper a caquexia, associada a muitos cânceres em estágio final.

Doença renal crônica (DRC): Os requisitos nutricionais para pessoas com DRC variam amplamente. Em geral, exige-se uma dieta que promova uma nutrição adequada, minimizando anormalidades bioquímicas e atrasando a progressão da DRC. Nos estágios posteriores de DRC, o apetite é frequentemente muito baixo e existe um alto risco de desnutrição.

As orientações devem ser para garantir que a ingestão de proteínas atendam as ingestões diárias recomendadas considerando a idade, o gênero e o consumo adequado de energia dos pacientes. Micronutrientes como potássio e fósforo só devem ser restritos se os níveis sanguíneos forem elevados. O objetivo do tratamento é prevenir a desnutrição.

As pessoas que necessitam de hemodiálise têm algumas necessidades diferentes – elas requerem 1,2 – 1,4 g / kg / dia de proteína devido a perdas no procedimento. Algumas pessoas podem exigir o ajuste da ingestão de micronutrientes, mas isso depende do perfil clínico e bioquímico do indivíduo.


COMO DETECTAMOS A FALTA DE NUTRIÇÃO?

O aparecimento de problemas nutricionais é muitas vezes gradual e, portanto, difícil de detectar. No entanto, os recursos encontrados na história e no exame podem ajudar a identificar pessoas em risco. As pessoas podem apresentar uma variedade de problemas que podem ser vagos ou não específicos. Os pacientes podem reportar redução de apetite e energia e ter uma sensação de sabor alterada e mudanças no hábito intestinal normal. As características clínicas que podem sugerir subalimentação incluem baixo peso corporal, pele frágil, perda muscular, infecções recorrentes e cicatrização de feridas prejudicadas.

Um estado desnutrido é definido como qualquer um dos seguintes indicadores:

Índice de Massa Corporal (IMC):              <18,5 kg/m²

Perda de peso involuntária:         >10% nos últimos três a seis meses

IMC <20 kg/m² e perda de peso não intencional >5% nos últimos três a seis meses

% Perda de Peso = [(Peso Original – Peso Atual) / Peso Atual] x 100

IMC = Peso / Altura² = kg / m²


Exames Laboratoriais

Exames laboratoriais não são úteis para o diagnóstico de desnutrição, no entanto, alguns testes podem ser necessários para detectar deficiências específicas, como ferro, ácido fólico e vitamina B12. A albumina foi sugerida no passado como um marcador de estado nutricional, mas agora é considerado como inútil devido ao fato de que pode ser alterada por condições clínicas, como desidratação e inflamação.


ESTRATÉGIAS DE APOIO À NUTRIÇÃO

O suporte nutricional não se limita a fornecer suplementos sob a forma de suplementos nutricionais orais (líquidos prontos ou alimentos para soro em pó) ou alimentação enteral. O primeiro passo deve ser sempre maximizar a ingestão nutricional de um indivíduo com alimentos e bebidas regulares, muitas vezes denominados “Alimentos Primários”. A abordagem inclui aumentar a frequência em comer, maximizando a densidade de nutrientes e energia de alimentos e bebidas e alimentos fortificantes com adição de gorduras e açúcares. As estratégias para otimizar a nutrição oral adequada estão resumidas abaixo:

01. Contra a perda de apetite:

– Verifique os medicamentos: altere sempre que possível para minimizar os efeitos adversos

– Incentive “pequenas e muitas vezes”:  três pequenas refeições intermediados com lanches regulares com alimentos ricos em energia e alta proteína. Incentive as pessoas a comerem a cada duas a três horas.

– Maximize os horários com melhor apetite: Por exemplo, se tem fome de manhã sugerir um café da manhã reforçado com ovos cozidos ou mexidos, pão com queijo e presunto, frutas, café com leite, sucos.

– Sirva refeições e lanches de forma atraente em tamanho e aparência – a comida deve ser agradável aos olhos também.

– Os alimentos devem ser comidos para serem benéficos: incentive o paciente a selecionar alimentos favoritos que podem ser comidos em qualquer momento. Por exemplo, se o paciente quer cereais no jantar e sopa no almoço, qual é o problema?

– As bebidas podem diminuir o apetite: Deve ser sugerido que as bebidas devem ser tomadas após as refeições, ao invés de antes e durante uma refeição.

– Encontre formas de estimular o apetite: uma curta caminhada antes das refeições pode ser útil.

– Considere o ambiente das refeições – fazer que os horários das refeições sejam agradáveis, evitando interrupções ou que se tenha pressa.

02. Problemas de mastigação

– Incentive cuidados dentários e bucais adequados

– Experimente alimentos macios que exijam pouca mastigação: os cortes macios de carne cozidos em molhos geralmente são mais facilmente mastigáveis.

03. Dificuldades na deglutição

– Os exercícios indicados por recomendação de fonoaudiólogos atenuarão os problemas de deglutição.

– A consistência dos alimentos e dos líquidos deve ser revistos para que as pessoas tenham maior facilidade na deglutição.

04. Fadiga, dificuldade em comprar alimentos ou preparar as refeições

– Compre alimentos de conveniência: refeições congeladas, produtos semi-prontos, verduras lavadas e picadas, frutas e sobremesas prontas (creme, iogurte etc), barrinhas de cereais e de proteínas, frutas secas, nozes, amendoim, cereais para o café da manhã.

– Solicite assistência familiar e de cuidadores profissionais, considere as refeições entregues em casa.

– Aproveite os bons dias: prepare lanches e refeições para depois comer ou armazene no congelador.

– Fortifique alimentos com gordura extra e açúcar – adicione óleo, manteiga, margarina, creme, queijos, requeijões, molhos, molhos, açúcar, mel e utilize nas refeições e lanches para aumentar a ingestão de energia.

05. Problemas de mobilidade

– Considere uma avaliação por um fisioterapeuta ou terapeuta ocupacional

– Certifique-se que a compra e a preparação das refeições estejam disponíveis.

06. Dores crônicas

– Descubra e trate a causa sempre que possível – verifique o uso de analgésicos

07. Isolamento Social, Depressão

– Refeições entregues em casa, visita regular dos familiares, visita de amigos, visita de assistente social.

– Verifique o uso dos medicamentos. Avalie consulta em médico e psicólogo.



Sugestões práticas de alimentação para pessoas com desnutrição

As recomendações de alimentação saudável promovem escolhas alimentares com baixo teor de gordura e de açúcar. Mas os pacientes que estão desnutridos ou perdem peso sem intenção, no entanto, devem confiar em gordura e açúcar como fontes concentradas de calorias. O benefício de alimentos calóricos nessas circunstâncias deve ser explicado aos pacientes e aos cuidadores para auxiliar na manutenção de uma nutrição adequada. De preferência, as gorduras devem ser saudáveis ​​para o coração (óleos, margarinas, sementes e nozes), mas com a prioridade de garantir uma ingestão densa em energia. Podem ser utilizadas calorias da manteiga, nata, leite integral e queijos.

As sugestões gerais para a Alimentação Primária podem incluir:

– Três pequenas refeições com lanches intermediários todos os dias

– Dois pequenos lanches para cada uma das três refeições

– Adicione o óleo, a manteiga, a margarina, o creme, o queijo, os temperos, os molhos, o açúcar, mel e distribuir nas refeições e lanches para aumentar a ingestão de energia.

– Escolha líquidos nutritivos, como leite, sopas ou suco de frutas ao invés de água ou chá.

– Coma uma sobremesa regularmente ao invés de opcional.

Sugestões de refeições e lanches

a. Café da manhã:

Mingau feito com leite, cereais com leite e adicionado com açúcar ou mel, seguido de pães ou torradas com boa quantidade de manteiga ou margarina

Ovos mexidos com queijo e bacon adicionados, seguido de iogurte e frutas.

b. Refeição leve:

Sopa à base de leite grosso (creme) com uma proteína (carne, ovo, queijo ou peixe) e sanduíche recheado com queijo e salada

c. Refeição principal:

Carne, peixe, frango ou ovos e incluindo batata, arroz ou macarrão, legumes ou salada com manteiga / margarina adicionada e queijo ralado, molhos ou temperos.

Se for tolerado, asse ou frite os alimentos.

d. Sobremesa:

Creme, sorvete, pudins instantâneos, mousses ou iogurte com frutas, pudim de leite, arroz doce, sagu, compotas ou doces de frutas

e. Aperitivos:

Biscoito Cracker e queijo, hommus, queijo cottage, requeijão.

Frutas secas, amendoim, nozes, amêndoas entre outros

Sanduíches com queijos e frios

Doces, bolos e chocolate

Barras de cereais 



Suplementos nutricionais orais

Os suplementos nutricionais orais são suplementos líquidos nutricionalmente completos que contêm uma mistura de macro e micronutrientes. Esses produtos estão disponíveis nas farmácias em:

Uma forma em pó que é reconstituída com água ou leite para fazer líquidos de 1 kcal / mL ou 1,5 kcal / mL – como as marcas comerciais Ensure, Sustagen e Nutren entre outras.

Formas líquidas prontas para beber e misturadas (muitas vezes referidas como sorvetes)

A evidência de que os suplementos nutricionais orais melhoram os resultados de saúde é limitada. Uma revisão sistemática (Cochrane) de 62 ensaios, atualizada em 2009, concluiu que houve evidência de ganho de peso pequeno e consistente após o uso de suplementos nutricionais orais e que, para pacientes com desnutrição, a mortalidade é possivelmente reduzida. Além disso, houve maior evidência de uma redução nas complicações em comparação com avaliações anteriores, mas os revisores observaram que os dados eram limitados e de má qualidade. Uma revisão adicional do conselho dietético para desnutrição relacionada a doenças em adultos não poderia definir claramente se o conselho dietético ou suplementos proporcionavam melhores resultados. Os revisores concluíram que a intervenção nutricional (suplemento nutricional oral mais outras medidas dietéticas) foi mais eficaz do que nenhuma intervenção no aumento do aumento de peso a curto prazo, mas se a sobrevivência ou a morbidade são melhoradas permanece incerta. Todos os comentários concordam que os suplementos nutricionais orais são meios úteis para aumentar a ingestão de proteína, energia e micronutrientes quando usados ​​adequadamente e como parte de uma combinação de estratégias de suporte nutricional.

O sucesso dos suplementos nutricionais orais pode ser limitado por uma falta de aceitação, muitas vezes por serem pouco atraentes ao paladar, efeitos adversos como náuseas e diarréia, e pelo custo. Alguns estudos mostraram que pode haver uma diminuição no consumo de alimentos normais quando os suplementos nutricionais orais são administrados, enquanto que outros estudos não encontraram efeito sobre o apetite. O desperdício de até 35% desses produtos também é relatado.

Os melhores resultados são vistos quando as pessoas são oferecidas uma variedade de sabores e consistências diferentes e também quando a temperatura em que os produtos são consumidos é variada. Os suplementos nutricionais orais devem ser administrados entre as refeições, não nos horários das refeições e há alguma evidência de adesão melhorada se administrada em pequenas doses regulares, semelhante a um medicamento. Eles geralmente não são destinados a substituir os alimentos, mas como um suplemento.

Como parte do monitoramento clínico, aqueles que prescrevem devem verificar se os pacientes estão usando os suplementos nutricionais orais adequadamente, como um complemento para a ingestão de alimentos, em vez de substituição. Certifique-se de que os pacientes tenham clareza sobre o papel dos suplementos nutricionais orais em seus cuidados nutricionais gerais.

Depois de tentar a alimentação adequada e balanceada, os suplementos nutricionais orais devem ser considerados onde um paciente tenha sido identificado com risco de médio a alto para a desnutrição, sempre combinado com a alimentação normal. A prescrição deve basear-se na diferença o quanto deve ser a estimativa para o paciente e quanto eles estão efetivamente ingerindo. A necessidade de continuação de um suplemento nutricional oral deve ser monitorada regularmente e ajustada à medida que o risco de desnutrição se reduz.


Suplementos nutricionais orais adequados para pacientes que foram identificados em risco de desnutrição

Pontos para consideração:

– Incentive o paciente a usar os princípios da Alimentação Primária

– O paciente é intolerante à lactose? Certifique-se de pó com água e os líquidos prontos (p.ex.Ensure Plus) que não possuem lactose.

– O paciente é diabético? Produtos específicos em pó como o NovaSource GC e o Nutri Diabetic  não possuem lactose, sacarose ou glúten.

– O paciente consome pouco líquido diariamente? Ou seja, eles lutam para beber líquidos em qualquer volume? Se assim for, eles devem usar um produto que forneça 1,5 kcal / mL.

– Os volumes medidos para mistura não precisam ser exatos, p.ex. 200 mL podem ser utilizados em vez de 196 mL. O importante é ter a quantidade recomendada de pó por dia.

– Embora exista um custo adicional para a aquisição dos suplementos líquidos prontos, alguns pacientes podem estar dispostos a pagar isso, especialmente se preferirem as variedades de sabor das bebidas prontas ou acham difícil misturar fisicamente as bebidas em pó ou encontrar as bebidas prontas são fáceis de transportar quando estão longe de casa.

– A prisão de ventre é um problema? A utilização de suplementos como o FiberMais contém uma mistura de fibras dietéticas que podem ser adicionadas em alimentos e bebidas para auxiliar a regular o trânsito intestinal.



Alimentação enteral

No sentido mais amplo, a nutrição enteral refere-se a qualquer método de alimentação que use o trato gastrointestinal. Mais comumente, no entanto, o termo alimentação enteral refere-se a métodos para fornecer alimentos através de um tubo diretamente no sistema gastrointestinal.

O tubo pode ser inserido pelo nariz até o estômago (nasogástrico) ou no intestino delgado (nasoduodenal ou nasojejeunal). Alternativamente, um tubo de alimentação pode ser colocado através da parede abdominal diretamente no estômago (gastrostomia). Gastrostomia endoscópica percutânea (ou PEG) refere-se a tubos de gastrostomia que são colocados usando endoscopia.

A alimentação enteral (tubo) deve ser considerada para pessoas que não podem comer e beber de forma segura, como a disfagia após um acidente vascular cerebral. Também pode ser usado quando as pessoas não conseguem manter uma dieta adequada de alimentos e líquidos normais ou de suplementos orais.

Se for necessária a alimentação de tubo por mais de quatro semanas, pode ser necessária a inserção de um tubo PEG / gastrostomia. O principal benefício do tubo de gastrostomia sobre um tubo nasogástrico é o conforto do paciente. Também é menos provável que seja deslocado e possa ser escondido sob as roupas. No entanto, um PEG é invasivo e o risco de aspiração permanece para ambos, com alimentação nasogástrica e PEG.

NICE (UK) recomenda que a alimentação de tubo na comunidade seja entregue por profissionais de saúde treinados em suporte nutricional usando uma abordagem de equipe multidisciplinar coordenada. A equipe deve incluir nutricionistas, técnicos e enfermeiros, médicos de clínica geral e farmacêuticos. Pessoal de saúde aliado adicionalmente deve ser envolvido conforme necessário, p.ex. fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais. O monitoramento da tolerância e a ingestão oral pela equipe fornecerá orientação sobre quando a alimentação enteral deve ser interrompida.

O uso de alimentação por tubo em pessoas cronicamente incapazes é controverso, especialmente quando usado para pessoas com demência. O debate centra-se na seleção das quais as pessoas se beneficiarão desta forma de suplementação nutricional. Ambos os suplementos orais e a alimentação por tubo podem melhorar o estado nutricional das pessoas com demência. As diretrizes da Sociedade Européia Parenteral e Nutrição Enteral (ESPEN) recomendam que seu uso seja considerado no estágio de demência precoce e moderada, no entanto, não na demência terminal.

A decisão sobre o uso da alimentação por tubo deve sempre ser feita individualmente com a contribuição de familiares, cuidadores, médicos de clínica geral, terapeutas e, se necessário, representação legal.


As considerações para o uso da alimentação por tubo a longo prazo podem incluir:

– O paciente sofre de uma condição que provavelmente se beneficiará da alimentação enteral?

– O apoio nutricional melhorará os resultados e / ou acelerará a recuperação?

– O paciente sofre de uma doença incurável, oa qual a qualidade de vida e o bem-estar podem ser mantidos ou melhorados pela nutrição enteral?

– O benefício antecipado supera os riscos potenciais?

– O uso da nutrição enteral tem concordância expressa ou presumida do paciente ou no caso de pacientes incompetentes de seu representante legal?

– Existem recursos financeiros e de atendimento suficientes para gerenciar adequadamente a nutrição enteral? Se a nutrição enteral de longa duração implica uma situação de vida diferente, p.ex. Casa x Clínica de Repouso, a mudança beneficiará o paciente em geral?

– Atenção! Medicamentos e alimentos entéricos não devem ser misturados. Pare temporariamente a alimentação do tubo, lave internamente com fluxo de água, administre os medicamentos individuais, limpe internamente o tubo antes e depois de cada dose. Retomar a alimentação.



Nutrição parenteral

A nutrição parenteral é um método de fornecer nutrição diretamente no sistema venoso, evitando o sistema digestivo. É referido como nutrição parenteral total e, em geral, é usado em ambiente hospitalar. Seu uso na comunidade é reservado principalmente para pessoas com doença grave de Crohn, aqueles com dano vascular ao intestino e algumas pessoas com câncer. A nutrição parenteral no domicílio do paciente é dispendiosa e requer uma cuidadosa seleção e treinamento do paciente e deve ser administrada por profissionais de saúde treinados em nutrição parenteral.



AGRADECIMENTOS

Obrigado ao Professor Tim Wilkinson, Diretor Associado, Faculdade de Medicina de Christchurch e Ciências da Saúde, Universidade de Otago e Dr. Sandy McLeod, Diretor Médico, Enfermeira Maude Hospice, Christchurch, por orientação especializada no desenvolvimento do artigo original que apareceu no BPJ 15 (Ago , 2008).



Traduzido e adaptado por Nilton Yamamoto.


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